Corneto de Maçã

Thursday, September 28, 2006

S.Valentim (esse grande malandro!)



Pois é, namoradeiros, casados e afins, eis que chega mais um dia de S.Valentim! Os presentes, os telefonemas, os jantares, a ansiedade pelo encontro com a cara-metade, a publicidade alusiva e todo o folclore inerente, são características típicas deste dia tão especial. Os que estão bem, por assim dizer, regozijam-se em pleno com todos estes deleites e compadecem-se com o sentimento da coisa. Os que, por outro lado, estão zangados ou fartos do parceiro, são compelidos ou, a entrar no “esquema”, ou, a ser altamente prejudicados face a uma indiferença tácita, isto é, deixar passar o dia sem uma única manifestação de galanteio. Mas todos estão, com mais ou menos euforia, à espera do dia para alguma coisa. Nem que seja para o jantarzinho à luz de velas, trivializado por tantos romances e novelas que vimos ou lemos. Ora bem…quando digo todos, estou-me a esquecer de uma classe muito importante, que não está incluída neste rol de aduladores do S.Valentim: os ENCALHADOS! Ups, não foi por querer…mas já que veio à baila, aqui fica uma pequena dissertação abonatória sobre esses pobres infelizes (ou felizes) que não são convidados deste santo malandreco e faccioso que é o S.Valentim.O que raio há-de fazer o rapaz nesse dia, senão tem a quem telefonar, a quem oferecer uma prenda, a quem cortejar e cobrir de beijos? Que faz a rapariga se não tem quem a convide para jantar, quem lhe ofereça bombons e quem lhe diga coisas bonitas ao ouvido e a beije no pescoço? Que é suposto pensar a um Encalhado, quando é bombardeado pela publicidade, da TV e revistas, alusiva ao maldito dia? Com quem vai ele(a) almoçar? Com quem vai jantar? E se for a um restaurante à noite e a seguir beber um copo ao bar, tem de levar com a paisagem romântica dos casalinhos apaixonados em pleno desfrute? Não meus amigos, eu digo, não! É hora, para o efeito, de anunciar uma ideia de génio que me acometeu faz 5 minutos: Devia haver o Dia dos Encalhados! Esperem, não agradeçam já. Dava-se ao dito o nome de um santo qualquer, sei lá, assim tipo Santo Aníbal, S. Manel António, uma coisa do género. Depois era ver os encalhados, em jeito de baile de Sto António, a desfilarem pelas ruas, impunes do pudor que os atormentava no dia de S.Valentim, e a proliferarem nos restaurantes, parques da cidade, bares e discotecas, com um orgulho saudosista e emblemático de ser um encalhado! A música romântica seria proibida em locais públicos e nas discotecas, onde, ao contrário do habitual, não poderiam entrar casais, pois a prioridade seria dada àqueles grupos de 3 ou 5 (ou 10) que costumam pousar à porta, à espera que o porteiro tenha um ataque de caridade ou que aconteça um milagre tipo o das rosas, mas em vez da santa Isabel tirar rosas do vestido, tiravas miúdas boas comó milho, já enfeitadas, para entrar com o seu querido acompanhante. Assim, despeço-me com uma salva especial para os encalhados, e com os votos de que esta ideia possa avançar, de modo a que se equilibre de uma vez por todas essa preferência da sociedade pelos casais. E chega de ver, a toda a hora no dia 14 de Fevereiro, encalhados a sair de maca do bares e discotecas, por não ter aguentado mais uma do Michael Bolton.

Wednesday, September 27, 2006


A barreira do sono


Hoje acordei com o telemóvel a tocar. Não foi bonito, diga-se. Mas mesmo o toque do “grilo” não conseguiu, apesar do volume ensurdecedor, desprender-me de imediato do sono. Houve uns intermináveis segundos de debate entre o sonho e o despertar inexorável, devido ao barulho que se fazia sentir no quarto. Ora se eu estava em pleno repouso, numa colina de uma qualquer ilha grega, muito bem acompanhado e rodeado de serenidade e beleza paisagística, donde poderia vir aquela sirene azucrinante e inesperada que distorcia agora o contorno alvadio das belas e típicas casas gregas? Seria o Demis Roussus com uma flauta defeituosa a alertar o povo para a alvorada? Seria porventura Afrodite num chamamento indefensável ao homem terreno? Ou seria, quem sabe, a Sofia (do “Mundo de Sofia”), que viria, depois do massacre das aulas de filosofia de Jostein Gaarder, pegar fogo ao que resta dessa proveniência filosofal? Não. Era mesmo o meu telemóvel a chamar-me grosseiramente para a realidade do meu quarto, para uma quarta-feira de manhã, para Portugal...maldito bicho! O pior é que o bicho não é totalmente responsável pelo aturdir dos meus sentidos. Alguém estava do outro lado, complacente com esta cabala. Miserável! Atendo. É o meu patrão a lembrar-me da vinda de um cliente especial ao escritório. Antes fosse a sirene do cavalo de madeira, transformado depois da guerra de troia, numa ambulância helénica servindo assim de transporte a Aquiles para o posto médico, a fim de tirar a flecha cravada no calcanhar (e aqui para nós que ninguém nos ouve...ninguém morre com uma “setita” no calcanhar!). Levanto-me mas ainda estou ciente da dupla realidade do sonho. Já voei em sonhos, já caí, já amei, já deplorei, já vivi e explorei mundos diferentes e tenho a certeza de uma coisa: foi tudo real. Tudo sentido. De um salto estóico (ou milagroso) da Ponte da Arrábida, passando por sensações de êxtase de folia, dor, medo, amor, até a visões de entidades divinas e sensações ultra- existenciais. Quem separa essa realidade da outra? O acordar. Mas poderá apagar essa realidade do senso, da recordação, dos nossos sentidos? Só se deixarmos...


Memórias de um velho verão


Quem é que ainda recorda com alegria os tempos áureos da puberdade? Aqueles Verões magníficos recheados de areia, conchas e maresia...ah como é bom lembrar da vontade de comer gelados e tomar banhos de piscina e mar; contar cada minuto da hora segura estabelecida pelos pais para tomar banho sem apanhar uma congestão; A música que ouvíamos no radio do carro, na telefonia da praia...aquela rapariga por quem pensávamos que íriamos estar apaixonados para sempre...o homem dos gelados e das batatas fritas, as raparigas e mulheres mais velhas, bronzeadas e estendidas ao sol...Deixo aqui um voto de saudade por esses dias solheiros e as noites estreladas em que a palavra "Problema" significava somente a falta de 5 escudos para comprar um Epá.


Que é feito do Michael Night? Se alguém o vir, favor avisar q o comer tá na mesa!



Quem se lembra ainda do Michael Night e do seu carro automático? Aquele look "Master Pimp 80's" e um carro falante...isso sim, eram tempos de "xulice" cool, passo a expressão. Um homem, um carro e muita batatada com tiros e carros falantes e alados pelo meio. Viva o Kitt!