S.Valentim (esse grande malandro!)Pois é, namoradeiros, casados e afins, eis que chega mais um dia de S.Valentim! Os presentes, os telefonemas, os jantares, a ansiedade pelo encontro com a cara-metade, a publicidade alusiva e todo o folclore inerente, são características típicas deste dia tão especial. Os que estão bem, por assim dizer, regozijam-se em pleno com todos estes deleites e compadecem-se com o sentimento da coisa. Os que, por outro lado, estão zangados ou fartos do parceiro, são compelidos ou, a entrar no “esquema”, ou, a ser altamente prejudicados face a uma indiferença tácita, isto é, deixar passar o dia sem uma única manifestação de galanteio. Mas todos estão, com mais ou menos euforia, à espera do dia para alguma coisa. Nem que seja para o jantarzinho à luz de velas, trivializado por tantos romances e novelas que vimos ou lemos. Ora bem…quando digo todos, estou-me a esquecer de uma classe muito importante, que não está incluída neste rol de aduladores do S.Valentim: os ENCALHADOS! Ups, não foi por querer…mas já que veio à baila, aqui fica uma pequena dissertação abonatória sobre esses pobres infelizes (ou felizes) que não são convidados deste santo malandreco e faccioso que é o S.Valentim.O que raio há-de fazer o rapaz nesse dia, senão tem a quem telefonar, a quem oferecer uma prenda, a quem cortejar e cobrir de beijos? Que faz a rapariga se não tem quem a convide para jantar, quem lhe ofereça bombons e quem lhe diga coisas bonitas ao ouvido e a beije no pescoço? Que é suposto pensar a um Encalhado, quando é bombardeado pela publicidade, da TV e revistas, alusiva ao maldito dia? Com quem vai ele(a) almoçar? Com quem vai jantar? E se for a um restaurante à noite e a seguir beber um copo ao bar, tem de levar com a paisagem romântica dos casalinhos apaixonados em pleno desfrute? Não meus amigos, eu digo, não! É hora, para o efeito, de anunciar uma ideia de génio que me acometeu faz 5 minutos: Devia haver o Dia dos Encalhados! Esperem, não agradeçam já. Dava-se ao dito o nome de um santo qualquer, sei lá, assim tipo Santo Aníbal, S. Manel António, uma coisa do género. Depois era ver os encalhados, em jeito de baile de Sto António, a desfilarem pelas ruas, impunes do pudor que os atormentava no dia de S.Valentim, e a proliferarem nos restaurantes, parques da cidade, bares e discotecas, com um orgulho saudosista e emblemático de ser um encalhado! A música romântica seria proibida em locais públicos e nas discotecas, onde, ao contrário do habitual, não poderiam entrar casais, pois a prioridade seria dada àqueles grupos de 3 ou 5 (ou 10) que costumam pousar à porta, à espera que o porteiro tenha um ataque de caridade ou que aconteça um milagre tipo o das rosas, mas em vez da santa Isabel tirar rosas do vestido, tiravas miúdas boas comó milho, já enfeitadas, para entrar com o seu querido acompanhante. Assim, despeço-me com uma salva especial para os encalhados, e com os votos de que esta ideia possa avançar, de modo a que se equilibre de uma vez por todas essa preferência da sociedade pelos casais. E chega de ver, a toda a hora no dia 14 de Fevereiro, encalhados a sair de maca do bares e discotecas, por não ter aguentado mais uma do Michael Bolton.



